"Crucifixão", por Dad

Nenhuma religião tem no seu centro um martirizado. A não ser o cristianismo. Duplo sangue. O físico, derramado na crucifixão. E o, como dizer, simbólico, que jorra da refeição da Eucaristia.
E nenhuma religião é tão questionada como o cristianismo perante o sofrimento, o mal, o absurdo. 1) Onde está Deus? 2) Como pode Deus ser bom se há tanto mal? 3) Como pode ser permitir?
A partir da cruz, as respostas são: 1) Deus não é alheio ao sofrimento; também está na cruz. Sabe como é por dentro. 2) É uma boa pergunta, para a qual Jesus também não teve resposta: “Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste”. 3) Talvez Deus não tenha como proibir. Omnimpotência de Deus.
Dos Ramos à Páscoa, toda a teologia do poder de Deus rui. E só se volta a erguer porque teimamos em querer Deus à nossa imagem e semelhança.

2 Interacções:

Paulo de Tarso disse...

O que é, afinal, o poder de Deus? Ou qual é?

Contemplando o processo da condenação, a cruz, a morte e a ressurreição… talvez possamos compreender parte desse mistério.

Li hoje no I: "… em todas as sociedades há almas, raras, que podem erguer-se acima da subserviência, da insegurança e do medo das consequências." (opinião de David Broks reflectindo sobre Trump e os EUA).

Em circunstâncias diferentes, pois claro, mas revejo Jesus neste retrato.

Cláudia S. Tomazi disse...

A pintura
é resposta,
semelhança
servil a ser
transpassar no olhar
da própria lança.

Nas cores Jesus:
Levantai-vos crianças!